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mário cesariny : you are welcome to Elsinore (cesariny est mort le 26.11.2006)

Morreu Mário Cesariny 
26.11.2006 - 11h53   


O poeta e pintor Mário Cesariny, principal representante do surrealismo português, morreu esta madrugada em sua casa, em Lisboa, aos 83 anos.

O corpo do escritor, falecido cerca das 05h30, deverá seguir para a Igreja de Santo Condestável e o funeral realiza-se amanhã, pelas 14h00, informou à Lusa a sua governanta.

 

You are welcome to Elsinore



De nous aux mots il y a du métal en fusion
de nous aux mots il y a des hélices qui marchent
et peuvent nous donner la mort nous violer arracher
du plus profond de nous le plus utile des secrets
de nous aux mots il y a des profils embrasés
des étendues remplies de gens le dos tourné
de hautes fleurs vénéneuses des portes à ouvrir
et puis des escaliers et des poinçons et des enfants assis
qui attendent leur temps qui attendent leur précipice

Tout le long de la muraille que nous habitons
il y a des mots de vie il y a des mots de mort
il y a des mots immenses, qui sont en attente de nous
et d'autres, fragiles, qui ont renoncé à attendre
il y a des mots incendiés comme des barques
et il y a des mots hommes, des mots qui mettent en réserve
leur secret et leur position

De nous aux mots, très sourdement,
les mains et les murs d'Elseneur

Et il y a des mots et de nocturnes mots gémissements
des mots qui nous montent illisibles à la bouche
des mots diamants des mots jamais écrits
des mots qu'il est impossible d'écrire
puisque nous n'avons pas sur nous des cordes de violon
ni tout le sang du monde ni toute l'étreinte de l'air
et les bras des amants écrivent au plus haut
bien plus loin que l'azur où meurent oxydés
des mots maternels qui ne sont qu'ombre et sanglot
qui ne sont que spasmes et amour et solitude déchirée

de nous aux mots, les emmurés
et de nous aux mots, notre devoir parler

Mário Cesariny
Anthologie de la poésie portugaise contemporaine (1935-2000)
Ed. Gallimard/Poésie
 
 
 
 you are welcome to elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsinor

E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
 
Mário Cesariny

(de Pena Capital, 1957)

 

 

 



29/11/2006
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