albatroz - images, songes & poésies

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alexandre o'neill, pretextos para fugir do real

Pretextos para fugir do real

    

A uma luz perigosa como água

De sonho e assalto

Subindo ao teu corpo real

Recordo-te

E és a mesma

Ternura quase impossível

De suportar

 

Por isso fecho os olhos

 

(O amor faz-me recuperar incessantemente o poder da

provocação. É assim que te faço arder triunfalmente

onde e quando quero. Basta-me fechar os olhos)

 

Por isso fecho os olhos

E convido a noite para a minha cama

Convido-a a tornar-se tocante

Familiar concreta

Como um corpo decifrado de mulher

 

E sob a forma desejada

A noite deita-se comigo

E é a tua ausência

Nua nos meus braços

 

Experimento um grito

Contra o teu silêncio

 

Experimento um silêncio

 

Entro e saio

De mãos pálidas nos bolsos

 

Assobio às pequenas esperanças

Que vêm lamber-me os dedos

 

Perco-me no teu retrato

Horas seguidas

 

E ao trote do ciúme deito contas

Deito contas à vida.

 

Alexandre O'Neill

 

de Toma lá do O'Neill, 1986

 




18/12/2006
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