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alexandre o'neill, viver

Viver

É tão frágil a vida,
tão efémero tudo!
(Não é verdade, amiga,
olhinhos-cor-de-musgo?)

E ao mesmo tempo é forte,
forte da veleidade
de resistir à morte
quanto maior a idade.

Assim, aos trinta e sete,
fechados alguns ciclos,
a vida ainda pede
mais sentimentos, vínculos.

Não tanto os que nos deram
a fúria de viver,
como esses descobertos
depois de se saber

que a vida não é outra
senão a que fazemos
(e a vida é uma só,
pois jamais voltaremos)

Partidários da vida,
melhor: do que está vivo,
digamos "não" a tudo
que tenha outro sentido.

E que melhor pretexto
(quem o saiba que o diga!)
teremos p'ra viver
senão a própria vida?


Alexandre O'Neill
No Reino da Dinamarca



28/12/2006
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