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Crise do capitalismo acentua a vaga migratória dos trabalhadores pobres

Crise do capitalismo acentua a vaga migratória dos trabalhadores pobres

Manuel Vaz (*) - Sexta-feira, 21 Agosto, 2009

 

A crise sistémica do capitalismo está a acentuar a vaga migratória dos trabalhadores pobres oriundos de todas as regiões do mundo onde a dominação colonial e neocolonial cavou um fosso profundo entre zonas de acumulação capitalista e zonas de espoliação, entre os centros de desenvolvimento industrial e as vastas zonas de pilhagem de matérias primas e expropriação do campesinato.

Opulência num reduzido pólo de sociedades dominados pelas plutocracias monopolistas, pauperização crescente em África, Ásia e América Latina. Morre-se de fome aos milhões por esse mundo fora, precisamente num momento da história da humanidade em que detemos a capacidade técnica de entrar no reino da abundância: o aparelho agro-alimentar actual tem a capacidade de alimentar 12 mil milhões de pessoas (segundo o relatório mundial da FAO de 2006 sobre a alimentação) e somos "apenas" 6,2 mil milhões !…

As fortalezas imperiais, tais como a Europa e os Estados Unidos, tentam (inutilmente) barrar o caminho à imensa vaga de famintos e desesperados que fogem ao desastre, opondo-lhes toda a espécie de barreiras físicas. O muro metálico e de arame farpado que separa a fronteira entre o México e os Estados Unidos é, deste ponto de vista, um monumento de imbecilidade humana inacreditável!

Na previsão de tempos ainda mais negros, de desequilíbrios ainda mais profundos entre os dois pólos, o aparelho repressivo da burguesia não pára de se aperfeiçoar, enquanto que o arsenal de leis de carácter racial faz progressos como não há memória.

Para o capitalismo envelhecido, decadente, moribundo – seja qual for o termo para o caracterizar na sua fase actual – mas inflexível na sua vontade de perenidade (crises e restaurações violentas do sistema sucederam-se ao longo destes últimos cem anos), trata-se, antes de mais, de conter por todos os meios o "inimigo interior" de que se destaca a figura desprezada do trabalhador "clandestino", utilizado pelo patronato como destabilizador do mercado do trabalho e pelo Estado como bode expiatório do mal-estar social. Num momento em que a solidariedade de classe é frágil e o internacionalismo se encontra abafado, de um lado, pelo peso da ideologia dominante e, por outro lado, pela colaboração de classes que corrói as organizações operárias – corremos todos os perigos!

Paris
Depois de ocuparem durante três semanas os passeios do Boulevard du Temple, em frente da Bolsa do Trabalho, donde tinham sido expulsos pelo serviço de ordem da confederação sindical CGT, os 400 emigrantes "clandestinos" da CSP75, ocupam desde o passado 17 de Julho o "Ministério da regularização de todos os clandestinos". Assim ficou baptizado o novo edifício ocupado, de 5 000 m2, vazio, situado no 18.° bairro de Paris, pertencente à Caixa de Segurança Social.
Esta ocupação foi apoiada por partidos de esquerda e associações de solidariedade, com um destaque especial para os sindicatos de base da CGT, tais como a união local do 18.° bairro e o sindicato da limpeza que reagrupa muitos imigrantes de origem africana. A promessa feita pelo governo de estudar a abertura de 300 novos dossiês de regularização é por agora letra morta.

Roma
O senado italiano adoptou definitivamente no passado dia 2 de Julho a lei sobre "segurança e imigração" proposta por Marioni, ministro da polícia da Liga do Norte. A emigração "clandestina" passou a ser inteiramente criminalizada: todo trabalhador "clandestino" apanhado é passível de uma multa de 10 mil euros; a expulsão é automática e imediata; em caso de detenção em centros especiais, o isolamento pode durar 6 meses sem explicações. Pior ainda, as declarações de nascimento de crianças terão de ser feitas por pais detentores de passaporte ou título de estadia válidos, senão o récem-nascido torna-se um apátrida irregularizável…
Gente conhecida em Itália, tais como Camilleri, Tabucchi, Fo, Maraini, Amelio e ainda 34 mil outras pessoas, consideram que, mesmo durante o tempo do fascismo não se tinha ido tão longe em matéria de leis raciais e lançam um apelo à opinião publica europeia: "se os deixamos agir desta maneira, assumimos o risco de desfigurar a cara da Europa e de fazer recuar a causa dos direitos do homem no mundo inteiro".

Bruxelas
Os trabalhadores "clandestinos" que ocupam as instalações da Universidade Livre de Bruxelas desde Março do ano corrente prosseguem a greve da fome. A paróquia de Saint-Jean-Curé-d'Ars, em Forest, encontra-se ocupada por "clandestinos" desde Abril 2006. Nestes quatro últimos anos, greves da fome e ocupações multiplicam-se na Bélgica, mobilizando milhares de "clandestinos" na esperança de obterem uma regularização colectiva. Por agora, Turlelboom, ministra responsável pela imigração, não cede. Mas o actual primeiro-ministro federal, Van Rompuy, promete para breve uma nova vaga de regularizações. A primeira, realizada em 2000-2001, tinha-se saldado pela integração de 30 mil trabalhadores e famílias. Actualmente o número de trabalhadores "clandestinos" no país, é estimado entre 80 e 150 mil.

(*) Este mesmo tema será abordado proximamente em "3 perguntas a…" desta vez dirigidas a Albano Cordeiro, engenheiro reformado do CNRS (Centre Nationale de Recherches Scientifiques), doutor em economia e ex-docente da Universidade Paris VIII, especializado em questões identitárias e migratórias
 
artigo publicado por Mudar de Vida
http://www.jornalmudardevida.net/?p=1705


22/08/2009
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